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17 de Novembro – Dia Mundial da Prematuridade

Publicado em 18.11.2019 | comentários
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No dia 17 deste mês de novembro homenageia-se o Dia Mundial da Prematuridade. Este dia foi estabelecido principalmente para conscientizar a sociedade em geral sobre como evitar a interrupção de uma gestação prematuramente e também para orientar famílias de bebês prematuros sobre os cuidados e particularidades que se deve ter com estes bebês.

   Com o intuito de responder as dúvidas das nossas clientes, elaboramos o texto abaixo e o dividimos em duas partes:
   A primeira, intitulada “Prematuridade – Prevenção” foi escrita pelo Dr. João Luiz Ascoli, médico especialista em ginecologia, obstetrícia, ultrassonografia e com atuação em medicina fetal e foca nas causas e métodos de prevenção do parto prematuro.
A segunda parte deste texto foi elaborada pela nossa equipe interna, que focou principalmente em responder as perguntas que recebemos nas nossas redes sociais (@USEVIATUTTI) pelos nossos seguidores. As respostas tem como base em nossas pesquisas com materiais fornecidos pela Organização Mundial da Saúde, Sociedade Brasileira de Pediatria, Ministério da Saúde, ONGs e websites focados em prematuridade. Porém não tem fundamento científico e portanto, podem não condizer com as situações específicas e únicas do seu bebê, que devem sempre ser avaliadas pelo seu próprio pediatra. De todas as formas esperamos que apreciem a leitura!


Prematuridade – Prevenção

   O parto prematuro é aquele que acontece antes de 37 semanas de gestação, segundo a OMS - Organização Mundial da Saúde. Suas complicações são as principais causas de mortalidade neonatal no mundo e estão ainda mais presentes nos partos ocorridos antes de 34 semanas de gestação, além de serem responsáveis por graves morbidades neonatais e infantis.
    Dentre as causas podemos citar sangramento, grande crescimento uterino (gemelaridade, por exemplo), incompetência istmo-cervical (incapacidade do colo uterino em manter a gestação), infecções bacterianas e processos inflamatórios.
Existem também situações em que o parto prematuro precisa ser provocado, ou seja, o feto precisa nascer para salvaguardar a vida da mãe ou mesmo a própria vida. São os casos de insuficiência placentária, rotura precoce da bolsa, pré-eclâmpsia, diabetes gestacional e restrição de crescimento fetal.
    A principal estratégia de prevenção de prematuridade sempre foi e ainda é fazer um pré-natal adequado.
    Todas as causas de prematuridade citadas acima tem seu diagnóstico ou a sua prevenção em algum momento do pré-natal. Atualmente implantamos uma estratégia que veio ajudar ainda mais a prevenir e tratar muitos casos de partos que aconteceriam prematuramente: medir o colo do útero. A medida do colo uterino por via transvaginal via ultrassom entre 18-24 semanas em gestantes sem antecedente de prematuridade é o método de rastreio para parto prematuro. Colos com medidas menores do que 25 mm são considerados de alto risco. Logo, essas gestantes serão acompanhadas de maneira diferenciada e os métodos de prevenção reduzem significativamente o desfecho que queremos evitar.
    Não deixe de discutir esse assunto com seu médico de confiança. Quando se trata de prematuridade, cada dia que ganhamos para o feto dentro do útero, diminuímos os dias em berçário/UTI e aumentamos a sua expectativa de vida!


Dr. João Luiz Ascoli CRM 12329
Especialista em Ginecologia e Obstetrícia
Especialista em Ultrassonografia
Atuação em Medicina Fetal

O Bebê Prematuro - Idade cronológica x Idade Corrigida

   Embora bebês prematuros tenham uma idade cronológica (assim como bebês nascidos a termo), os profissionais de saúde consideram a idade corrigida do bebê para melhor análise do seu desenvolvimento.
   A idade cronológica é a data real do nascimento do bebê. Já a idade corrigida é a que o bebê deveria ter se tivesse nascido a termo (de 40 semanas).
   Vamos usar de exemplo para cálculo das duas idades um bebê que nasceu prematuro de 32 semanas (aprox. 7 meses) no dia 1º de janeiro. A idade cronológica deste bebê no dia 1º de maio será de 4 meses. Porém sua idade corrigida será de apenas 2 meses, já que seu nascimento a termo deveria ter ocorrido apenas no início de março. As diferenças entre as duas idades tendem a desaparecer após os 3 anos de idade, porém cada criança tem suas próprias particularidades e características, então o pediatra é quem conseguirá avaliar com maior precisão o nível de desenvolvimento real de cada criança.

   O Nascimento e Primeiros meses do bebê prematuro

   A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda procedimentos bem distintos para prematuros que tenham nascido antes de 34 semanas de gestação dos que tenham nascido com 34 semanas ou mais. Após a análise de reanimação neonatal, que se dá imediatamente após o parto, o pediatra responsável avaliará os 5 sinais objetivos do recém-nascido (frequência cardíaca, respiração, tônus muscular, irritabilidade reflexa e cor da pele). A partir destes resultados, serão definidas as medidas e procedimentos necessários.
   Não cabe neste artigo discorrermos sobre os diversos tipos de diagnóstico que podem acometer um bebê prematuro decorrentes do parto e/ou da prematuridade em si. Nosso intuito é relatar as ferramentas de prevenção (elucidadas pelo dr. João Luiz Ascoli na primeira parte do texto), bem como cuidados e preocupações para com os pais e o bebê a partir do nascimento.
   Enquanto a maior parte dos hospitais continua separando os bebês de suas mães nas primeiras horas de vida para fornecer-lhes os cuidados iniciais que são padrões de cada instituição, a Organização Mundial de Saúde recomenda que bebês prematuros com mais de 1.200g, que não apresentem complicações e estejam clinicamente estáveis sejam colocados em contato pele à pele com suas mães logo após o nascimento. Também recomenda fortemente que o Método Canguru (ou Cuidado Mãe Canguru) seja administrado na rotina de prematuros com peso de 2.000g ou menos, intermitente ou continuamente (dependendo das possibilidades e análise clínica do prematuro) desde os primeiros dias de vida. Outros benefícios do Método Canguru são:

  • Menor tempo de internação do bebê;
  • Adequado tempo de internação do bebê;
  • Menos paradas respiratórias durante o sono;
  • Diminuição do choro e do estresse;
  • Aumento do aleitamento materno;
  • umento do vínculo pai-mãe-bebê-família;
  • Estimulação sensorial positiva;
  • Diminuição de infecção hospitalar;
  • Controle e alívio da dor.

   Felizmente, como a evolução da medicina de forma tão constante e eficaz, cada vez mais bebês prematuros em quadros super delicados e de grande risco tem maiores chances de sobrevivência com nenhuma, ou poucas, sequelas. Obviamente que cada caso tem sua particularidade, então não cabe fazer comparações e/ou julgamentos baseados em casos parecidos.

Quando o meu bebê ganhará alta do hospital?

   Em relação ao tempo de internação de um bebê prematuro, é normal que as famílias fiquem na expectativa de leva-los o quanto antes para suas casas. Porém normalmente os bebês finalmente ganham alta quando:

  • Seu quadro esteja completamente estável;
  • Esteja consumindo uma quantidade adequada de leite sem assistência especial;
  • Tenha atingido um peso aprox. de 1,9 a 2,5Kg;
  • Esteja ganhando peso de maneira consistente e gradual (aprox. 20g/dia);
  • Consiga manter uma temperatura corporal normal no berço;
  • Esteja há pelo menos uma semana sem apneia.

      Mesmo assim, somente o pediatra responsável poderá definir o momento certo para que finalmente o bebê e sua família voltem à casa pois muito embora as condições acima possam estar de acordo com o seu bebê, podem existir outros fatores não elucidados aqui e particulares de cada bebê.

Quando o meu bebê prematuro pode receber visitas?

   É principalmente no último trimestre de gestação que os bebês recebem anticorpos da mãe para se prepararem para vir ao mundo. Então quando a gestação é interrompida antes deste período, ele pode nascer “menos protegido”. Obviamente que deverão ser administradas todas as vacinas indicadas, porém é recomendado que os familiares e amigos evitem visitadas demoradas a bebês prematuros e que se o fizerem, estejam com suas mãos muito bem higienizadas, e evitem contato com as mãos e rosto do bebê.


Quando meu bebê pode sair de casa?

   Não há um período específico que defina quando a família poderá passear com o bebê prematuro, porém indica-se que só o façam quando o bebê tinja 2,5Kg e esteja devidamente liberado por seu pediatra para passear ao ar-livre. É ideal que evite-se locais fechados como shoppings, restaurantes e festas com aglomero de pessoas.

Bebês prematuros demoram para ganhar peso?

  Existem grandes diferenças no desenvolvimento corpóreo entre os bebês termos e prematuros. É comum que bebês prematuros tenham que se alimentar por sondas nas primeiras semanas (e até meses) e demorem, ou sequer consigam, mamar diretamente no peito. Ainda assim, cabe destacar que a Organização Mundial da Saúde recomenda as seguintes formas de alimentação aos bebês, nos 6 primeiros meses de vida, nesta ordem:
1) Leite materno da própria mãe, diretamente no seio;
2) Leite materno da própria mãe, por sonda (quando o bebê não consegue se alimentar sozinho);
3) Leite materno esterilizado, de bancos de leite;
4) Fórmulas.
   Bebês prematuros detém um processo muito mais lento para obtenção de peso do que um bebe a termo. Seja pelo estado mais frágil tanto de seus órgãos quanto músculos ou pela própria condição em que se encontram. Compara-se por exemplo, um bebê que nasceu de 40 semanas e que no segundo dia após o parto vai para casa com sua mãe. É muito normal que todas as vezes que este bebê chorar, a mãe lhe ofereça o peito e este mame, mesmo que não necessite, para lhe acalmar e dormir. Por vezes este bebê até regurgita, de excesso de leite adquirido. Já ao bebê prematuro, lhe será fornecido exatamente o que seu quadro lhe permitir e indicar. Além disso, este é um bebê que se cansará com maior facilidade ao mamar e também gastará mais energia para fortalecer-se tanto mental quanto fisicamente.


Desenvolvimento e infância

   Segundo a neuropediatra Mara Lúcia Schmitz Santos, do Hospital Pequeno Príncipe (PR), 25 a 40% dos prematuros apresentam sequelas em seu desenvolvimento cognitivo. Outros estudos demonstram também que mesmo crianças sem déficits motores estarão mais propensos à problemas nas áreas cognitivas e comportamentais do que crianças e adolescentes nascidos a termo. Sendo assim, é primordial que crianças prematuros recebam também acompanhamento de um neuropediatra, para que se possa realizar uma intervenção precoce e e/ou evitar complicações maiores se identificadas tardiamente.
   Estudos realizados pela Fundação Europeia de Cuidados com Recém-nascidos (EFONI) mostram que o ambiente social no qual uma criança nascida pré-termo cresce, desempenha um papel crítico no seu desenvolvimento à longo prazo. A construção de laços familiares fortes, o desenvolvimento de habilidades advindas dos pais, o estabelecimento de relacionamentos nos ambientes de outras famílias de crianças prematuras e também o acesso a acompanhamento eficaz e cuidados médicos contínuos estão se tornando parte importante dos conceitos de tratamento para estas crianças.
   Ainda assim, há uma falta de critérios de qualidade oficialmente controlados que tornariam esses elementos obrigatórios para todos os locais onde os bebês prematuros são tratados. Por isso, todo e qualquer esforço para apoiar os centros de saúde, famílias e cuidadores a melhorarem o desenvolvimento de crianças nascidas prematuramente devem ser apoiados.
   Em busca de instituições brasileiras que se preocupam com esta causa, descobrimos a ONG Prematuridade.com (https://www.prematuridade.com). Foi lá que encontramos a Cartilha “Nascer Prematuro”, que segundo a ONG é um manual de orientações aos pais, familiares, amigos e cuidadores de prematuros na alta hospitalar. Essa cartilha foi uma iniciativa de 5 pediatras neonatologistas (Dra. Gislayne Souza Nieto, Dra. Ligia Maria Rugollo, Dra Lilian Sadeck, Dra. Rita de Cássia Silveira e Dra. Rosângela Garbers). Contou o com apoio da Elsevier (Sociedade Brasileira de Pediatria e Sociedades de Pediatria do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo) e também com a própria ONG Prematuridade, que contribuiu com um trecho da obra.
É um material muito rico e esclarecedor, ao qual recomendamos que você também faça a leitura.
Clique aqui para realizar o download da cartilha ou acesse nas referências bibliográficas.

Esperamos de coração ter lhe esclarecido um pouco mais sobre a prematuridade. Sinta-se à vontade para nos escrever sempre que quiser sugerir um tema novo ou ainda para sanar dúvidas sobre este que acabou de ler. O nosso e-mail é atendimento@viatutti.com.br

Um forte abraço de toda a Equipe Viatutti.

Referências Bibliográficas
• Nieto, Gislayne. Nascer prematuro: manual de orientação aos pais, familiares e cuidadores de prematuros na alta hospitalar. / Gislayne Nieto, Ligia Maria Rugolo, Lilian dos Santos Rodrigues Sadeck, Rita de Cássia Silveira, Rosângela Garbers. - 1. ed. - Rio de Janeiro : Elsevier, 2016. Disponível em:
http://epharma.elsevier.es/flipcontent/manual_prematuro/files/assets/common/downloads/publication.pdf
• Programa de reanimação Neonatal da Sociedade Brasileira de Pediatria. TRANSPORTE DO RECÉM-NASCIDO DE ALTO RISCO. 2017. Disponível em: https://www.sbp.com.br/fileadmin/user_upload/Site-PRN-Manual-Transporte-2edicao-23out2017.pdf Direitos autorais SBP: ISBN 978-85-88520-27-1. Acesso em: 11/11/19.
• Organização Mundial da Saúde. WHO recommendations on newborn health: guidelines approved by the WHO Guidelines Review Committee. Geneva: World Health Organization; 2017 (WHO/MCA/17.07). Licence: CC BY-NC-SA 3.0 IGO. Disponível em: https://apps.who.int/iris/bitstream/handle/10665/259269/WHO-MCA-17.07-eng.pdf;jsessionid=E282F274A908FA20DA97BC49C7946D0E?sequence=1. Atualizado em Maio, 2017. Acessado em 06/11/19.
• Prematuridade.com (Associação Brasileira de Pais, Familiares, Amigos e Cuidadores de Bebês Prematuros (https://www.prematuridade.com). Acesso em: 07/11/19.
• Zelkowitz P. Prematuridade e seu impacto sobre o desenvolvimento psicossocial e emocional da criança. Em: Tremblay RE, Boivin M, Peters RDeV, eds. Enciclopédia sobre o Desenvolvimento na Primeira Infância [on-line]. Disponível em: http://www.enciclopedia-crianca.com/prematuridade/segundo-especialistas/prematuridade-e-seu-impacto-sobre-o-desenvolvimento-psicossocial. Atualizada: Abril 2017 (Inglês). Acesso em: 07/11/19.
• Saleh, Naíma. Estudo pode esclarecer por que bebês prematuros tem mais dificuldades de desenvolvimento. Disponível em: https://revistacrescer.globo.com/Bebes/Prematuros/noticia/2017/02/estudo-pode-esclarecer-por-que-bebes-prematuros-tem-mais-dificuldades-de-desenvolvimento.html. Atualizada em 02/03/17. Acesso em: 06/11/19.
• Goldenberg R, Culhane J, Iams JD, Romero R. Epidemiology and causes of preterm birth. 2008. The Lancet. 371(9606): 75–84.
• Growing Up. European Foundation for the Care of Newborn Infants. EFONI. Disponível em: https://www.efcni.org/health-topics/growing-up/. Acesso em: 11/11/19.
• Kopko, Gabi. Método Canguru contribui para desenvolvimento de bebês prematuros. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/entenda-o-sus/52567-metodo-canguru-cuidado-humanizado-contribui-para-desenvolvimento-de-bebes-prematuros. Publicado em 28/04/17. Atualizado em 03/05/17. Acesso em 11/11/19.

 

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